No dia 20 de novembro, Dia Mundial da Infância, foi realizado o encontro de encerramento do ano do Conselho TALi, o espaço de participação infantil da Red TAL que reúne meninas e meninos de toda a América Latina para refletir sobre mídia, direitos e infâncias. Nesse encontro, as conselheiras e os conselheiros apresentaram os resultados de suas reflexões a dirigentes de canais públicos da América Latina e a representantes de organizações internacionais e festivais vinculados à infância.
Em sua terceira edição, o TALi continua sendo um projeto pioneiro em nível regional e único no mundo: um Conselho integrado por 66 conselheiras e conselheiros, entre 7 e 14 anos, representantes de 35 canais e 18 países, que participam ativamente da construção de ideias e propostas para os meios públicos.
Durante 2025, o projeto teve como título “TALi pensa a migração”, uma iniciativa que convidou meninas e meninos a analisar como os processos migratórios são representados nas telas e quais transformações são necessárias para narrá-los de maneira mais humana, empática e real. A escolha do tema respondeu à presença cotidiana da migração na vida de milhares de famílias latino-americanas, bem como à urgência de revisar os olhares adultocêntricos e estereotipados que ainda predominam nos meios de comunicação.
Ao longo do ano, o Conselho trabalhou em três etapas — investigação, análise e elaboração — por meio de dinâmicas lúdicas, criativas e coletivas que promoveram o diálogo, a escuta e a construção conjunta de ideias. Nesses encontros, as conselheiras e os conselheiros compartilharam emoções, experiências próprias ou próximas, analisaram conteúdos audiovisuais e debateram sobre como a migração deveria ser narrada a partir da perspectiva das infâncias.
O encontro de encerramento, realizado em 20 de dezembro, foi o momento em que meninas e meninos apresentaram os resultados do processo anual, entre eles um documento de recomendações para os meios públicos e um vídeo criado a partir de um roteiro coletivo. Na ocasião, compartilharam com dirigentes de canais públicos da América Latina sua visão sobre como narrar a migração sem recorrer a estereótipos, ressaltando a necessidade de mostrar histórias reais, diversas e esperançosas. Entre suas propostas, destacaram ideias como criar programas mais interativos, incluir vozes de crianças migrantes em primeira pessoa, utilizar animação baseada em desenhos infantis, produzir podcasts e realizar séries que combinem depoimentos reais com ficção.
Além de diretoras, diretores e representantes dos canais associados, o encontro contou com a presença de organizações e festivais vinculados à infância, que acompanharam a apresentação e celebraram a experiência de participação infantil promovida pela TAL.
A experiência teve um marco especialmente significativo neste ano: pela primeira vez, o TALi contou com um canal anfitrião, a Telecafé, que acompanhou o processo com ações no território e apoio permanente ao trabalho do Conselho.
As vozes das meninas e dos meninos evidenciaram a potência transformadora de incluir seus olhares na comunicação pública. “Refletimos sobre as razões pelas quais as pessoas migram e como se sentem — expressaram em sua apresentação —. Queremos que os meios falem sobre migração a partir de nossas vozes, sem estereótipos e mostrando também a esperança.”
O relatório final do TALi 2025 sintetiza esse percurso e oferece um conjunto de recomendações que podem orientar a produção, a programação e a circulação de conteúdos para públicos infantis e familiares nos canais públicos. Destaca-se a importância de tornar visíveis histórias diversas, promover a empatia como valor narrativo e garantir a participação de meninas e meninos nos processos de criação audiovisual.
Com esta edição, o TALi reafirma sua missão: construir um espaço onde as infâncias não sejam apenas representadas, mas também protagonistas na construção dos meios públicos latino-americanos. Um laboratório de escuta, criatividade e pensamento crítico que continua crescendo ano após ano.